Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

História: Como o Imperador Constantino Tornou-se o Pai do Dogma Católico da Trindade.


A formulação do dogma contra Ário marcou oficialmente o surgimento da Besta do Apocalipse, cuja imagem está para ser formada agora pelo governo dos Estados Unidos. O relato a seguir, fornece-nos informações valiosas sobre esse período histórico que, ao final, será interpretado profeticamente por Ellen G. White.

O imperador não-baptizado (pagão) à frente da cristandade

O bispado romano não estava preparado para a enorme descoberta feita pelo máximo poder político, de que já não se podia governar sem Cristo. Silvestre I, titular oficial da sede de Pedro, seguiu sem ter grande influência. Nos 21 anos que durou seu governo, paralelo ao do imperador Constantino, fala-se pouco dele, apesar de que se celebre sua festa em 31 de Dezembro, coincidindo com a do fim do ano. A igualdade de direitos de todos os bispos foi mais decisiva e influente que a autoridade exclusiva do bispo de Roma. O governo de Constantino procurou reunir todos os partidos religiosos e os paladinos da fé. O imperador, com o título de "Pontífice Máximo", presidiu durante 25 anos aquela igreja episcopal; à frente do cristianismo havia um César não baptizado. Não se fez batizar até os últimos momentos de sua vida.

O vencedor em Roma queria dar a paz; por isso suas primeiras medidas foram cautelosas e conciliadoras. Basta de mártires! Não devia havê-los em nenhum grupo. Constantino proibiu a crucificação, a estigmatização na testa e a mutilação de membros. Proclamou: "Que ninguém incomode a outros; que cada qual se comporte como seu coração lhe diga. Ninguém pode ferir a outro, quaisquer que sejam suas convicções..."

Constantino decorou seus estandartes imperiais com o emblema cristão. Entretanto, na casa da moeda de Tarragona se cunharam moedas com a imagem do deus da luz acompanhado da Vitória. Como monumento de triunfo mandou erigir uma estátua no Foro levando na mão direita levantada uma cruz. Um ano depois da ocupação de Roma, o imperador promulgou o Decreto de Melam, que amparava aos cristãos e lhes concedia igualdade de direitos.

No Arco de Constantino, que o Senado mandou erigir, incluíram-se estatuetas do deus solar e da Vitória. Era uma artimanha do Senado, de tendência pagã, ou o desejava o imperador, a fim de dar a seu governo uma nota de imparcialidade?

Em fins de outubro de 313, os clérigos de la Igreja católica gozavam dos mesmos privilégios que os anteriores sacerdotes oficiais; isenção de prestação de serviços públicos e impostos, reconhecimento dos tribunais arbitrais episcopais e direito da Igreja a receber heranças. Os santuários cristãos estavam dotados do direito de asilo, igual aos templos dos antigos deuses.

Os privilégios concedidos pelo imperador aos cristãos requeriam uma contrapartida político-militar; a este efeito, a grande reunião eclesiástica celebrada em Arles no ano 314, sob a direcção do Constantino, emitiu um documento sobre a negativa de prestar o serviço militar. Nele se diz: "Os que em tempo de paz abandonem as armas, serão excluídos da comunhão." Para os cristãos dos primeiros séculos, assim como para os bispos e pais da Igreja, os crentes não podiam ser arrolados para o serviço militar, e até lhes estava proibido assistir como espectadores às lutas de gladiadores.

Ainda em 350, em uma ordem de uma comunidade síria cristã primitiva, denominada geralmente "O testamento do Senhor", figura o seguinte: "Se alguém quiser ingressar na comunidade e deseja ser soldado, tem que renunciar a este último desejo; quem já for membro da comunidade e ingressar no exército, será excluído, pois com isso desprezou a Deus, e o que iniciou em espírito quer consumá-lo em carne, e se tem feito culpado de menosprezar a fé." E na ordem de outra comunidade da mesma época: "Todo aquele que receba um posto importante ou um cargo de autoridade e não renuncie ao uso das armas, conforme o exige o Evangelho, será expulso da comunidade."

Em Arles, adotou-se outro critério. Agora, sob o reinado do Constantino, a Igreja consentia em que os cristãos levassem espada, e até negava o sacramento do altar aos que seguiam o exemplo dos antigos soldados mártires. Os que cairam da fé pareciam esquecidos; os soldados mártires, sacrificados.

Ao cabo de cinco anos de ter começado o governo de Constantino em Roma, Itália e África, todos os estandartes do exército romano ostentavam o anagrama de Cristo, com estas palavras: "In hoc signo vinces" (Neste sinal, vencerás!). Oito anos depois da conquista de Roma se gravou como símbolo imperial nas lanças a cruz de Cristo, que um dia havia aparecido ao imperador e a seus soldados.

Constantino organizou o primeiro serviço litúrgico cristão no exército. Aos domingos, os soldados iam ao campo de exercícios. A um sinal, cristãos e não cristãos rezavam em latim com as mãos levantadas. E o olhar fixo no alto. Diz-se que o próprio imperador tinha redigido a oração, que dizia assim: "Só te reconhecemos como rei; imploramos-te como protector; de ti obtivemos as vitórias, por ti nos impusemos aos inimigos. Estamos agradecidos pelo bem que nos tens feito, e esperamos poder dizer-te obrigado pelo que nos faças no futuro. A ti nos dirigimos, implorando: Conserva nosso imperador Constantino e a seus filhos, queridos de Deus, uma vida longa e vitoriosa."

Em março de 321, o imperador promulgou uma lei que restringia o trabalho nos domingos; quatro séculos depois, aquela proibição fez-se extensiva a todo trabalho no domingo. Constantino insistia em celebrar como dia de descanso "o venerável dia do sol", que não é o mesmo que havia dito o mártir Justino. Este, no ano 150, em uma súplica dirigida ao imperador Antonino Pio, expôs os principais usos da Igreja e, com tal motivo, falou-lhe do domingo. Justino o chamou dia do Senhor, dia de Cristo. Os cristãos dos primeiros séculos o santificaram. Para eles, a festa do domingo era como uma repetição semanal da Páscoa. Os crentes estavam acostumados a rezar ajoelhados outros dias da semana, mas de pé aos domingos. O dia da ressurreição, o Senhor "tinha dado a todos os seus redimidos o direito e o valor para estar de pé diante de seu Deus." A importância do domingo aumentou embora, no século II, tenha aparecido o costume de celebrar a quarta-feira como dia em que o Alto Conselho tinha ordenado a detenção do Jesus, e na sexta-feira por ser o dia de seu Suplício. Os dois últimos dias eram de penitência, enquanto que no domingo era uma festa alegre. Próprio do "dia do Senhor" era o "ágape do Senhor". O imperador Constantino permitiu que no domingo se emancipassem escravos e que as autoridades lavrassem as actas daquelas emancipações.

Na luta, que começou ao ano 323, contra seu cunhado, o imperador Licínio, soberano da metade oriental do Império, Constantino enviou suas tropas à batalha com o emblema cristão. Obtiveram a vitória, e Constantino passou à história como general invicto. Após reinou no Ocidente e Oriente sob o "lábaro", ou estandarte imperial, de cor púrpura com as iniciais gregas do nome de Cristo bordadas em ouro. Ao próprio tempo cessaram as cunhagens de moedas com a imagem do deus solar. Desde 326 a 330, o imperador fez cunhar a primeira moeda com o símbolo cristão, embora Roma tenha posto em circulação, ao mesmo tempo, moedas com as imagens da loba de Rômulo e Remo. Constantino, apesar de favorecer aos cristãos, apreciava deste modo os cultos antigos e manifestava seu simpatia pelos antigos deuses. Era um político religioso de grande estilo.

"Considero que a cisão interna da Igreja é mais perigosa que as guerras e batalhas", advertiu Constantino ao ver as discórdias entre os cristãos. Estes não deixavam de disputar, que fosse na África, no Egipto, Síria ou países vizinhos; até a Igreja do Oriente se dividiu. Aquilo podia ser uma faísca perigosa para o Império romano. Então, o imperador interveio com decisão e energia na política eclesiástica. Sabia o que fazia falta: paz.


318 bispos reunidos no Concílio Imperial de Nicéia em 325

A sacrossanta Majestade passou a ser em certo sentido bispo universal quando Constantino convocou, a princípios do verão de 325, o primeiro Concílio ecumênico do Império em Nicéia, florescente comércio à beira do mar Assoânio. Sob sua presidência se reuniram 300 bispos, representantes deste modo da política e do saber. Causaram uma grande impressão os titulares das três sedes arcebispais: Macário de Jerusalém, Eustáquio da Antioquia e Alexandre de Alexandria. O bispo de Roma, Silvestre I, esteve representado por dois presbíteros.

Despertaram profunda emoção as vítimas da última perseguição de cristãos: o bispo Potomano da Heracléia (Egipto), de quem se atravessou um olho; o bispo Pafúncio da Alta Tebaida, a quem se mutilou um joelho; o bispo Paulo de Cesaréia, com as duas mãos paralíticas em consequência de ter sido torturado com ferros em brasa.

A maioria dos emissários procediam do Oriente. Cem anos antes já havia na África mais de 100 bispos, e 60 na Itália e Roma. No Oriente, no Egipto e África, o cristianismo se converteu em religião nacional. A Europa estava representada pela Itália, Grécia e Espanha. Entre os participantes havia também um escita. As fontes mencionam de 6 a 15 representantes ocidentais. Os dois mandatários do bispo de Roma se alternaram na presidência do sínodo com os bispos Ósio de Córdoba e Eusébio da Cesaréia, amigos do imperador.

Constantino, muito amigo do luxo e da riqueza nos palácios imperiais e igrejas cristãs de seu Império, revestiu de análogo esplendor, com profusão de ouro e pedraria, a assembleia eclesiástica que se celebrava no corpo central do palácio imperial. Era um espectáculo de lenda. O imperador, vestido de púrpura, sobressaía-se sobre todos os presentes. No centro havia uma cadeira de ouro, trono no qual se sentava ele, a pedido dos bispos. Seu discurso pronunciado em latim e traduzido ao grego punha muita ênfase em sua condição de "imperador" vitorioso e expressava sem rodeios a opinião de que a assembleia lhe merecia. Importava-lhe a unidade do Estado e da Igreja, pois só assim podia levar-se a cabo uma política com garantias de êxito no Ocidente e Oriente.

Chamava-se a si mesmo "co-servidor dos bispos", e aos bispos "amigos" ou "queridos irmãos", o que não impedia, porém, que os dirigisse com a maior energia. Constantino sabia apresentar-se com suavidade e bondade e se mostrou humilde quando, diante da assembleia reunida, saudou o bispo martirizado que havia perdido um olho e lhe beijou a cova deixada pela cicatriz. Sabia ser cordial, mas também muito duro quando as circunstâncias o exigiam.

Escutou com paciência discursos e réplicas. Era a velha cantilena que desde jovem tinha ouvido o imperador: adversidades, transtornos, dificuldades, disputa sobre ortodoxia, adulterações de manifestações eclesiásticas e opiniões heréticas.

Todos os hereges começam acatando a fé, mas logo se separam das normas por ela impostas. Assim o tinha proclamado fazia 100 anos Orígenes, o conhecedor científico das questões eclesiásticas. Daí que o imperador ou seus assessores teológicos compreendessem claramente o que faltava à Igreja: um dogma e uma administração. Só a unidade da fé podia restabelecer a unidade da Igreja e, com ela, a do Estado. Isso era o que importava em nicéia, aquilo pelo que lutava o imperador. O César, entre o paganismo e o cristianismo, queria dotar a Igreja de uma couraça que a protegesse interior e exteriormente. Essa couraça se chamava: unidade dogmática.

Depois desses discursos e réplicas no parlamento eclesiástico imperial, apresentaram-se ao imperador escritos de súplicas e queixa durante uma pausa ocorrida no primeiro dia de deliberações. Constantino prometeu tratar aqueles memorandos em um dos próximos dias, embora os tenha devolvido sem abrir os papéis apresentados e disse: "Deus lhes pôs como sacerdotes e lhes deu poder para nos julgar inclusive. Vós não podeis ser julgados por homens." Em seguida fez queimar todos os escritos de queixa. Além disso ordenou a readmissão pela Igreja de três ex-bispos que tinham sido excomungados.

Entre os pontos principais do programa de Nicéia figurava a doutrina herética de Ário, ex-presbítero da Alexandria, com sua tese de que Cristo era um ser intermediário entre a divindade e a humanidade. Confirmou-se a destituição de Arrio e a doutrina ariana foi definitivamente condenada.

Em outro dia das deliberações, o imperador falou com um dos participantes que figurava entre os novacianos. Era adepto daquele partido intransigente do clero que há um século (e até entrada a Idade Média) dividiu em dois grupos, não somente Roma, mas, sim, ao Império. Os novacianos, seguindo o exemplo de seu fundador o presbítero Novaciano expulso da sede episcopal de Roma, aspiravam a uma Igreja de "puros", segundo eles declaravam. Opunham-se à readmissão dos apóstatas. Constantino lamentava que se apartaram da Igreja católica. O cismático se mostrou inacessível respondendo ao imperador que quem tinha cometido um pecado mortal depois de batizado, já não podia ser admitido aos sagrados mistérios, mas, sim, tinha que esperar o perdão de Deus, pois os sacerdotes não lhe podiam dar. Então respondeu ironicamente o imperador: "Bom, pois toma a escada e sobe você sozinho ao céu."

O imperador formula o dogma

O que os bispos de Nicéia sentiam e necessitavam, formulou-o o imperador que convocou e presidiu o concílio ecumênico. Já não era o momento de sustentar lutas pessoais ou de grupo entre bispos e escolas teológicas que se insultavam e proscreviam mutuamente. A questão não era dirimir a luta, mas, sim, encontrar a unidade. O que importava era a concórdia, não a discórdia; importava a ordem da Igreja. De acordo com o bispo Ósio de Córdoba, desde muito tempo atrás íntimo do imperador e supostamente pai da idéia de celebrar aquele concílio, Constantino impôs que o dogma falasse da igualdade de essência divina do Filho com o Pai. Como dizia o texto:

"Filho de Deus, nascido do Pai, filho unigênito, ou seja gerado, não criado, da essência do Pai; Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas."

Este dogma de Nicéia sobre a divindade de Cristo procede de Constantino, quem parece que encontrou a expressão "consubstancial", que foi aceita por unanimidade na sessão de 19 de junho de 325. O dogma da Igreja se publicou como lei do Império. O concílio ecumênico imperial se perpetuou, como instituição permanente, durante mais de cinco séculos.

À unificação dogmática seguiu a unificação em questões de culto e administração. Por decreto imperial, a festa de Páscoa se fixou para no domingo seguinte à primeira lua cheia da primavera, e o começo da primavera em 21 de março. Constantino queria a organização absolutamente intacta da Igreja, tomando como modelo a autoridade episcopal e a estrutura e união das comunidades. "Sigam ao bispo como Jesus ao Pai", já dizia Inácio, bispo da Antioquia, por volta do ano 100 de nossa era. No século II se deu forma fixa à organização de comunidades de fé, a Bíblia e o culto, organização que se amoldou às distintas províncias em que se dividia o território do Império. Os procônsules actuavam de comum acordo com os bispos em suas províncias. A aliança entre o Estado e a Igreja se fez cada vez mais estreita. Ambos participavam das mesmas lutas e destinos. Por parte da Igreja, isso constituía um transacção com o Estado pagão.

Como encerramento do primeiro concílio ecumênico, Constantino deu um banquete oficial em Nicéia. Desdobramento de pompa e desfiles militares. Todo bispo recebeu um presente de despedida. Nos salões, nas varandas, em portas e portais, havia guardas de honra. O imperador escreveu a Alexandria: "O que acordaram os 300 bispos, não é nada mais que a opinião de Deus."

É de estranhar que baseando-se nessa aliança, Constantino se chamasse às vezes o "homem de Deus"? Havendo lhe visitado um grupo de padres, recebeu-os com estas palavras: "Vós fostes designados Por Deus para o que diz respeito as coisas internas da Igreja, e eu como uma espécie de bispo para os assuntos exteriores." Daí que o governante assumisse a missão temporal do cristianismo. Graças a ele, abriu-se à Igreja o Império do Oriente até Bizâncio: cristianização dos Bálcãs, dos godos e dos eslavos. -- Friedrich Gontard, História de los Papas - Regentes entre el cielo y el infierno, Tomo I, Compañia General Fabril Editora, Buenos Aires, 1961, págs. 147-154.

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publicado por Admin às 14:02
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